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Dor na relação sexual e endometriose: falar e pedir ajuda

Você sente dor durante ou depois da relação sexual e acaba evitando? Pergunta-se se o problema é você? Não é impressão sua, e você não precisa cerrar os dentes. Veja como entender essa dor, falar sobre ela e encontrar ajuda.

Escrito por Paul, enfermeiro, criador do EndoQueen. Este guia informa; não substitui uma consulta médica.

Um sinal frequente, pouco dito

O termo médico para a dor na relação sexual é dispareunia. Fala-se pouco dela, por pudor, por medo de decepcionar, ou porque no fim se acreditou que era normal. Não é.

Sentir dor não quer dizer que falta desejo nem que o relacionamento vai mal. É uma dor física, com causas que podem ser investigadas.

Na entrada ou em profundidade: duas dores diferentes

Situar a dor ajuda muito o médico.

A dor na entrada (superficial)

Sente-se na entrada da vagina, desde o início. Pode arder, coçar ou apertar. Costuma ter causas diferentes da endometriose: ressecamento, infecção, irritação da pele, ou músculos do assoalho pélvico que se contraem por reflexo para se proteger da dor.

A dor profunda

Sente-se no fundo da vagina ou na barriga, sobretudo em certas posições, e às vezes dura horas depois. É a que as recomendações europeias (ESHRE 2022) e britânicas (NICE) citam entre os sinais de endometriose. Também pode ocorrer com a adenomiose.

As duas podem coexistir. Quando dói há tempos, o corpo também pode se contrair por antecipação. Nenhuma dessas referências permite saber por conta própria o que você tem. Quem decide é o médico.

Falar com o médico

Você pode marcar uma consulta com seu médico de família, uma obstetriz (enfermeira obstétrica) ou uma ginecologista (na UBS ou na rede particular), sobretudo se a dor se repete. Para facilitar:

O exame ginecológico nunca é obrigatório. Você pode pedir que expliquem cada gesto, que parem a qualquer momento ou deixá-lo para outro dia. O nosso guia para preparar a sua consulta ajuda a organizar.

Como anotar

Depois de uma relação dolorosa, anote em alguns segundos a dor de 0 a 10, onde era, quanto durou e o dia do ciclo. Em algumas semanas pode aparecer uma relação com a menstruação: é uma informação valiosa para o seu médico.

Falar com o parceiro

O silêncio muitas vezes pesa mais do que a dor. O seu parceiro pode achar que você o rejeita, quando na verdade só está com dor. Algumas ideias:

Você sempre tem o direito de dizer chega, a qualquer momento, mesmo que tenha dito sim.

Os apoios que existem

Conforme a causa, vários profissionais podem acompanhar você, muitas vezes de forma complementar.

No dia a dia, algumas pessoas se beneficiam de um lubrificante, de posições em que controlam a profundidade ou de evitar os dias do ciclo mais dolorosos. São ideias, não obrigações: um profissional pode orientar o que serve para você.

Se você tem um projeto de bebê, o nosso guia Endometriose e fertilidade também fala da dor na relação sexual nesse contexto.

Emergência: ligue 192 (SAMU) se você tem uma dor repentina e intensa, febre com dor na barriga, um sangramento abundante depois de uma relação, um desmaio, ou se pode estar grávida e sente muita dor de um lado. Se você sofre violência, pode ligar para o Ligue 180, a central de atendimento à mulher.

Se você tem pensamentos suicidas ou se sente sobrecarregada, peça ajuda sem esperar: ligue 192 (SAMU) ou 188 (CVV, Centro de Valorização da Vida).

Perguntas frequentes

Sentir dor durante a relação sexual é normal?

Não. Uma dor durante ou depois da relação sexual, sobretudo se se repete, é um sinal que convém contar a um profissional de saúde.

Qual a diferença entre a dor na entrada e a dor profunda?

A dor na entrada é sentida no começo, na entrada da vagina, e costuma ter outras causas. A dor profunda é sentida no fundo ou na barriga, e é a citada entre os sinais de endometriose. As duas podem coexistir.

Quem pode me ajudar?

O seu médico, uma obstetriz (enfermeira obstétrica) ou uma ginecologista, para procurar a causa. Conforme a sua situação, um fisioterapeuta especializado em assoalho pélvico e um sexólogo também podem acompanhar você.

Outros guias

Se você quer manter um diário de sintomas, o EndoQueen está disponível para Android (Google Play); a versão para iPhone (App Store) chega em breve. Um diário rápido, o seu calendário de ciclos e um resumo de uma página para mostrar ao seu médico. O seu diário fica no seu celular. O app não faz diagnósticos: ajuda você a mostrar o que vive. Por enquanto o app está em francês; a versão em português está a caminho. Conhecer o app

Fontes

Última revisão: 7 de novembro de 2026

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